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O boletim da APA não chega desde 21 de setembro de 2026. O que vê aqui é desse dia, não de hoje. Porquê

A seca em Portugal

Índice PDSI do IPMA · agosto de 2026

Em agosto de 2026, 70,5% do território de Portugal continental estava em seca, e 7,3% em seca severa ou extrema. É o 17.º agosto mais seco dos 86 que o IPMA mede desde 1941.

Território em seca
70,5 %
Em seca severa ou extrema
7,3 %
Entre os 86 agostos desde 1941
17.º mais seco
Normal −0,99 a 0,99Seca fraca −1,99 a −1,00Seca moderada −2,99 a −2,00Seca severa −3,99 a −3,00

O mapa de agosto de 2026

É o mapa do próprio IPMA, passado para as coordenadas deste sítio e recortado à silhueta do país. As manchas não seguem nenhuma linha administrativa porque a seca não as conhece: o índice calcula-se ponto a ponto e interpola-se.

As cores são as do IPMA, para que quem já viu o mapa do instituto reconheça este.

Isto não é uma declaração de escassez

Convém dizê-lo antes de mais nada, porque a página espanhola deste sítio fala de outra coisa. Em Espanha há unidades territoriais com cenários de escassez declarados: um estado administrativo, com consequências legais, que o ministério declara e levanta. Em Portugal não existe nada equivalente publicado assim.

Para dar uma ideia da diferença: em julio de 2026, 3 unidades territoriais de Espanha estavam em alerta ou emergência por escassez — uma decisão administrativa, tomada bacia a bacia. Não é o mesmo que uma percentagem de território em seca meteorológica, e os dois números não se comparam nem se somam. O mapa espanhol está aqui.

O que existe é o PDSI, o índice de Palmer, que mede quanto se afasta do normal o balanço entre o que chove e o que se evapora, acumulado ao longo dos meses. É seca meteorológica: diz que falta água do céu, não que falte água na torneira. Uma albufeira pode estar cheia num distrito em seca, porque guarda a chuva do inverno passado — e é exactamente o que se vê mais abaixo.

Distrito a distrito

Os distritos, um a um →

Parte do território de cada distrito em alguma classe de seca, e a pior classe que lá se mede.

  1. PortalegreSeca moderada100,0%
  2. ÉvoraSeca severa100,0%
  3. FaroSeca severa100,0%
  4. LeiriaSeca fraca99,9%
  5. BejaSeca severa99,9%
  6. SantarémSeca fraca99,5%
  7. Castelo BrancoSeca fraca93,2%
  8. BragançaSeca fraca81,7%
  9. SetúbalSeca moderada73,7%
  10. CoimbraSeca fraca47,6%
  11. BragaSeca fraca40,1%
  12. GuardaSeca fraca23,7%
  13. Vila RealSeca fraca21,1%
  14. ViseuSeca fraca17,8%
  15. Viana do CasteloSeca fraca4,0%
  16. AveiroNormal0,0%
  17. PortoNormal0,0%

E por região

As regiões →
  1. AlgarveSeca severa100,0%
  2. AlentejoSeca severa99,6%
  3. CentroSeca fraca58,0%
  4. NorteSeca fraca41,1%

E as albufeiras

As 77 albufeiras →

As albufeiras agrupadas pela classe de seca do sítio onde estão, com o quão cheias estão hoje. Falta de chuva e falta de água armazenada não são a mesma coisa, e esta é a maneira de o ver.

  1. Normal18 albufeiras · normal 64,7%62,6%
  2. Seca fraca44 albufeiras · normal 62,4%75,9%
  3. Seca moderada8 albufeiras · normal 47,3%59,1%
  4. Seca severa4 albufeiras · normal 74,2%80,0%

O índice é de agosto de 2026 e o nível é do boletim da APA de 21 de setembro de 2026: duas datas e duas fontes, postas lado a lado e não somadas. Faltam 3 albufeiras sem coordenadas, que não se sabe onde ficam.

Oitenta e cinco anos de seca

A azul, a parte do país em seca; a laranja, a parte em seca severa ou extrema. Mês a mês, de janeiro de 1941 a agosto de 2026: 1028 meses sem um buraco.
0%25%50%75%100%19501960197019801990200020102020

Cada ponto é um mês inteiro do mapa, contado ponto a ponto e pesado pela área verdadeira de cada um. Os números estão para descarregar.

Os meses mais secos desde 1941

Pela parte do país em seca severa ou extrema, que é a que se nota.

  1. agosto de 2022100,0% em seca100,0%
  2. fevereiro de 2012100,0% em seca99,6%
  3. julho de 2022100,0% em seca99,3%
  4. setembro de 2005100,0% em seca99,2%
  5. outubro de 1985100,0% em seca98,8%
  6. agosto de 2005100,0% em seca98,7%
  7. outubro de 201799,2% em seca98,5%
  8. março de 2012100,0% em seca97,6%

De onde vem

Do IPMA, que publica o PDSI mês a mês desde janeiro de 1941. Os dados abertos do próprio instituto —o PDSI por concelho em CSV— estão parados desde junho de 2025, por isso não se usam; o serviço de mapas está ao dia, e é de lá que sai tudo o que se vê aqui.

As nove classes do índice não se adivinharam a olho: comprovou-se, para cada cor, o valor numérico que o IPMA dá nesse ponto, e as nove caem dentro da sua banda. O mesmo com as albufeiras: a classe de cada uma sai do mapa, e vinte delas foram comparadas com o número do IPMA no seu ponto. Vinte em vinte. O método explica-o inteiro.